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Água e igualdade de direitos: a sociedade precisa assumir essa luta

por em Justiça Socioambiental
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Graciete Santos, coordenadora da Casa da Mulher do Nordeste, descreve como a luta das mulheres por direitos iguais está entrelaçada com a luta  de  acesso à água de qualidade. A entrevista foi concedida a Daniel Lamir e publicada no boletim Dois Dedos de Prosa, do Centro Sabiá.

Água e igualdade de direitos: a sociedade precisa assumir essa luta
A luta das mulheres por direitos iguais está entrelaçada com a luta  de  acesso à água de qualidade

Neste mês de março, dois importantes temas são celebrados no cenário mundial: o Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8,  e o Dia Mundial da Água, no dia 22. Duas temáticas que chamam a sociedade a atuar na luta por direitos. Juntar as discussões sobre as relações entre homens e mulheres com o acesso à água de qualidade é um desafio que merece destaque, principalmente, para as famílias do Semiárido brasileiro. Nesta entrevista, a coordenadora da Casa da Mulher do Nordeste, Graciete Santos, fala sobre essas questões que atingem as mulheres. Acompanhe.

Por Daniel Lamir

Dois Dedos de Prosa: Como podemos relacionar questões como o acesso a água de qualidade e as relações de gênero na nossa sociedade?
Graciete Santos: A relação da água com as mulheres está muito ligada à questão da vida. As mulheres, historicamente e culturalmente, estão muito próximas com a questão da sobrevivência. Seja pela sua condição biológica de dar à luz a uma pessoa, seja pela sua relação mais próxima com as ações de reprodução da vida, do cuidado com as pessoas e com a alimentação. E, a água é um bem que está inteiramente ligado à vida. Diante dessa proximidade, o desafio é como podemos torna essas questões, que são fundamentais para a sobrevivência, para a reprodução da vida, como algo político e de responsabilidade de outras pessoas também. Não só das mulheres.  

DDP: A posição das mulheres na sociedade dificulta o reconhecimento do seu protagonismo na luta pelo acesso à água?
Graciete: Exatamente, primeiro temos que entender a água como um direito humano. Então  é necessário levar isso para essa esfera maior, relacionando a situação atual com outras questões e outras verdade. Relacionar não só com essas ligadas a reprodução da vida, do cuidado, da produção do viver, mas a outras questões que vão dar sustentabilidade a isso. Por exemplo, é necessário levar a luta das mulheres  pelo direito à água para produzir. Produzir nos seus quintais, para sua sobrevivência e da família. Ter acesso a novas tecnologias que facilitem esse acesso à água na luta pela convivência em regiões semiáridas. A água como um direito, e as mulheres como sujeitos de direito.

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“Nós feministas e do movimento de mulheres organizadas,
acreditamos muito que as mulheres devem
afirmar que são sujeitos de direito
e portadoras de conhecimentos.”


DDP: Ao falar em direitos também nos remete a opressão, e nos leva a lembrar  da “indústria da seca”...
Graciete: Eu acho que essa discussão da “indústria da seca” está muito relacionada com a opressão, com a dominação, a falta de conhecimento e reconhecimento de que homens e mulheres são cidadãos de direitos,  e de escolhas próprias. Eu acho que é importante a gente politizar isso também, porque a forma de opressão sofrida por homens e mulheres é diferente. Ser homem e ser mulher, na nossa sociedade, faz uma grande diferença. A mulher está em um lugar de desvantagem e nessa discussão têm questões que são particulares. Nós feministas e do movimento de mulheres organizadas, acreditamos muito que as mulheres devem afirmar que são sujeitos de direito e portadoras de conhecimentos. Então lutamos também contra essa questão de imaginar que a mulher tem uma condição de submissão e de que elas estão ligadas ao lugar do privado, ao lugar que não é político. A gente deve estar o tempo todo refletindo sobre isso.        


DDP: Por que essa diferenciação sobre a posição de homens e mulheres na sociedade?  
Graciete:  Há uma visão de que as mulheres estão determinadas ao mundo doméstico, privado. Não é porque somos mulheres que nascemos com um destino para isso ou aquilo. Isso é uma construção cultural. E a cultura é dinâmica, pode ser mudada. A grande questão é de como mexer com isso. Mudar esses valores que foram construídos, que até hoje existem e que se reproduzem em várias dimensões da vida.

 

 

 “É preciso reconhecer que existe uma parte  que está em desvantagem em relação a outra. Isso não é fácil, e muitas vezes gera conflito, quando se tenta chegar a uma condição de igualdade.”

 


DDP: No caso, na luta pelo acesso à água, a mulher precisar superar ainda mais obstáculos?
Graciete: As mulheres, há um tempo que são as gestoras da água. Eu lembro de uma experiência com um grupo em que as mulheres perdiam quatro horas do seu dia para pegar água. Porque sem água nada começa. Isso depende também da relação para gerar trabalho, gerar energia, renda. Desta forma, as mulheres acabam tendo uma sobrecarga. Por exemplo, se vai acontecer uma discussão sobre a construção de uma cisterna, se não é dado às mulheres as condições de participarem com a comunidade, com a associação, de estar levando suas demandas, de ser pedreira, de se qualificar, de dar sua opinião de onde vai ser construída a sua cisterna ou não, ela vai ficar à margem disso. Essa condição diferenciada vai impedindo as mulheres de terem acesso a outras coisas. É preciso reconhecer que existe uma parte  que está em desvantagem em relação a outra. Isso não é fácil e muitas vezes gera conflito, quando se tenta chegar a uma condição de igualdade, justiça e humanidade. Isso acontece em todos os campos da vida, desde a unidade familiar, a relações institucionais, de Estado. Isso vai se reproduzindo.

 

--- Acesse a entrevista e demais matérias do Boletim Dois Dedos de Prosa nº 67 em: www.centrosabia.org.br

Leia também:

Carta Maior - Guerra da água é silenciosa, mas já está em curso

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O SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia é uma organização da sociedade civil, autônoma, sem fins lucrativos, fundada em 1981, com sede na cidade do Recife, Pernambuco, no Nordeste do Brasil. Propõe-se a contribuir para a democratização da sociedade brasileira através da promoção da igualdade de gênero com justiça social.

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