•   "No Brasil, o fundamentalismo evangélico é uma das maiores ameaças atuais a todas as conquistas das mulheres, sobretudo no campo dos direitos reprodutivos e direitos sexuais. Conquistamos muito, mas nada está efetivamente ganho, vivemos sob ameaças. Há um monopólio masculino absoluto em todas as esferas de poder e da política, mas há também um sistema político não nomeado, que é a supremacia branca e patriarcal no mundo. A supremacia masculina é ditada pelo contrato sexual e a supremacia branca, pelo contrato racial. Se uma sororidade pode ocorrer entre "nosotras", ela depende de quanto seremos capazes de desafiar esses dois contratos, simultaneamente."

      suelicarneiro
    Sueli Carneiro, Geledés (Brasil), no Colóquio Las Mujeres e la Política/ Fonte: Cfemea feminista
    Foto: Mel Bleil

  •   Plip midiademocratica   Entidades da sociedade civil e dos movimentos sociais se organizaram para encaminhar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular das Comunicações para regulamentar o que diz a Constituição em relação às rádios e televisões brasileiras.

    Você conhece e já assinou o Projeto?
    (Clique aqui) ?
  •   legalizarabortonoBrasil AMB     Pela Vida das Mulheres
    Articulação de Mulheres Brasileiras lança Nota de Repúdio ao Requerimento da CPI para criminalizar a luta pela legalização do aborto no Brasil.
    Clique aqui para ler o documento
  • Página Principal
    Página Principal Aqui você pode encontrar todas as postagens do blog
  • Categorias
    Categorias Mostra uma lista de categorias deste blog.
  • Tags
    Tags Mostra uma lista de tags utilizadas no blog.
  • Blogueiros
    Blogueiros Procura por seu blogger favorito neste site.
  • Arquivo-Morto
    Arquivo-Morto Contem uma lista de posts criados anteriormente.

Cadernos de Crítica Feminista - Maria Betânia Ávila: Radicalização do Feminismo, Radicalização da Democracia

por em Comunicação
  • Tamanho da fonte: Maior Menor
  • Hits: 1484
  • Comentários
  • Increver-se para receber atualizações
  • Imprimir
  • PDF
1484

Em comemoração ao 8 de março, estamos disponibilizando, desde o início do mês, artigos de integrantes da equipe do SOS Corpo, extraídos dos Cadernos de Crítica Feminista. Esta semana, um texto de Maria Betânia Ávila, publicado na edição número 0 dos Cadernos, impressa em dezembro de 2007.

Radicalização do Feminismo, Radicalização da Democracia

Maria Betânia Ávila (*)

Podemos definir democracia como governo pelo povo ou governo pelo poder do povo. Mas quando foi, de fato, que o povo governou? Para o feminismo, desde a sua origem, impõe-se a questão sobre as mulheres como parte do povo que governa. A esfera política foi historicamente construída como um domínio dos homens e está relacionada com a dominação sobre as mulheres no espaço da vida privada. O feminismo, como movimento político, nasce confrontando a relação entre liberdade pública e dominação privada – o que já traz uma exigência de radicalidade, de pensar a democracia, não só como um sistema político, mas como uma forma própria de organização da vida social.

A organização política do feminismo surge com a revolta das mulheres, forjada em uma experiência histórica
concreta de relações sociais de desigualdade. A práxis feminista é ação política e pensamento crítico. Portanto, a radicalidade da ação está relacionada com a reinvenção da prática política e com a produção teórico-analítica feminista nos vários campos do saber. Para a construção do sujeito, conhecer e agir são dimensões inseparáveis. Isso fica mais claro quando constatamos que a produção de saber é também uma esfera da dominação masculina. Dominação simbólica diretamente voltada para reprodução da dominação e da exploração material – patriarcal e capitalista.

Enfrentando os conflitos
Há, no movimento feminista, diversidade de organizações e lutas e há desigualdade entre as mulheres que as compõem: mulheres de classes desiguais; de raças diferentes (transformadas, historicamente, em desigualdades); mulheres negras; mulheres indígenas e rurais; trabalhadoras domésticas, que constituem, majoritariamente, a classe das mulheres pobres; mulheres cujas desigualdades de classe, de raça e de gênero encontram-se entrelaçadas; mulheres lésbicas, que radicalizam contra as heranças do padrão heterossexual dominante; portadoras de necessidades especiais; mulheres de várias gerações, que trazem os conflitos inerentes entre transmissão e reinvenção.

Por isso, a necessidade de radicalizar, de viver o conflito interno no movimento – enfrentando democraticamente as várias tendências e proposições – de produzir conflito na sociedade em torno das suas proposições, de entender que radicalizar também é ser referência para outras mulheres fora do espaço da sua própria organização.

A radicalização do feminismo diz respeito a sua própria forma de organização e a sua ação no mundo. Se o movimento é radical, a sua organização exige, de imediato, os meios para enfrentar as contradições da mulher na vida cotidiana, que deve exercer o direito de existir como sujeito político – já que uma das conquistas do feminismo é a instituição da mulher como sujeito.

Para pensarmos em uma proposta radical de luta feminista, é importante pensarmos no acesso aos espaços de luta. Caso contrário, a desigualdade social e as discriminações se transformam perversamente em um déficit do sujeito. No cotidiano, há bloqueios para as mulheres se movimentarem entre as esferas pública e privada, como a violência sexual e doméstica, o preconceito, a dupla jornada de trabalho e a falta de tempo.
O trabalho das mulheres nas esferas produtiva e reprodutiva está marcado pela desigualdade da divisão sexual do trabalho. Precisamos responder teórica e politicamente à transformação dos fundamentos
econômicos dessa divisão e das relações sociais por ela produzida.

A mercantilização do corpo das mulheres, do prazer, e a banalização da exploração sexual são dimensões importantes da globalização econômica. As mulheres são consideradas alvos estratégicos do consumismo e o apelo sexual é o elemento central deste método. A indústria cultural, por intermédio dos diversos meios de comunicação, produz, cotidianamente, as mais enlouquecidas formas de alienação e apreensão de todas as
propostas de liberdade e igualdade. É também no terreno da sexualidade que a força repressiva das instituições religiosas e fundamentalistas tem produzido controle e abusos em nome de princípios transcendentes.

A ilegalidade e a clandestinidade do aborto, por exemplo, sempre serviram aos interesses mercantis e ao poder das igrejas na dominação sobre a vida das mulheres. Na América Latina e no Caribe, o poder do Estado esteve historicamente nas mãos de homens, em sua maioria, ligados aos senhores da terra, da indústria e do capital financeiro, subordinados e aliados dos senhores do Norte.

O patrimonialismo, que teve grande peso na conformação desses Estados, a violência no campo, a violência sexual, o racismo, a homofobia, a violência sobre o povo indígena, a concentração de renda e seu reverso,
a pobreza, são marcas que persistem a partir de uma imbricada relação entre dominação simbólica e reprodução da desigualdade social.

Ler artigo na íntegra

(*) Maria Betânia Ávila é doutora em Sociologia e pesquisadora. Integra a Coordenação Colegiada do SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia.

Leia também:

Silvia Camurça - 'Nós Mulheres' e nossa experiência comum

Avalie esta postagem:
O SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia é uma organização da sociedade civil, autônoma, sem fins lucrativos, fundada em 1981, com sede na cidade do Recife, Pernambuco, no Nordeste do Brasil. Propõe-se a contribuir para a democratização da sociedade brasileira através da promoção da igualdade de gênero com justiça social.

Comentários

Memória Viva Feminista _ www.flickr.com/redesocialfeminista