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Cadernos de Crítica Feminista - Maria Betânia Ávila: Radicalização do Feminismo, Radicalização da Democracia

por em Comunicação
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Em comemoração ao 8 de março, estamos disponibilizando, desde o início do mês, artigos de integrantes da equipe do SOS Corpo, extraídos dos Cadernos de Crítica Feminista. Esta semana, um texto de Maria Betânia Ávila, publicado na edição número 0 dos Cadernos, impressa em dezembro de 2007.

Radicalização do Feminismo, Radicalização da Democracia

Maria Betânia Ávila (*)

Podemos definir democracia como governo pelo povo ou governo pelo poder do povo. Mas quando foi, de fato, que o povo governou? Para o feminismo, desde a sua origem, impõe-se a questão sobre as mulheres como parte do povo que governa. A esfera política foi historicamente construída como um domínio dos homens e está relacionada com a dominação sobre as mulheres no espaço da vida privada. O feminismo, como movimento político, nasce confrontando a relação entre liberdade pública e dominação privada – o que já traz uma exigência de radicalidade, de pensar a democracia, não só como um sistema político, mas como uma forma própria de organização da vida social.

A organização política do feminismo surge com a revolta das mulheres, forjada em uma experiência histórica
concreta de relações sociais de desigualdade. A práxis feminista é ação política e pensamento crítico. Portanto, a radicalidade da ação está relacionada com a reinvenção da prática política e com a produção teórico-analítica feminista nos vários campos do saber. Para a construção do sujeito, conhecer e agir são dimensões inseparáveis. Isso fica mais claro quando constatamos que a produção de saber é também uma esfera da dominação masculina. Dominação simbólica diretamente voltada para reprodução da dominação e da exploração material – patriarcal e capitalista.

Enfrentando os conflitos
Há, no movimento feminista, diversidade de organizações e lutas e há desigualdade entre as mulheres que as compõem: mulheres de classes desiguais; de raças diferentes (transformadas, historicamente, em desigualdades); mulheres negras; mulheres indígenas e rurais; trabalhadoras domésticas, que constituem, majoritariamente, a classe das mulheres pobres; mulheres cujas desigualdades de classe, de raça e de gênero encontram-se entrelaçadas; mulheres lésbicas, que radicalizam contra as heranças do padrão heterossexual dominante; portadoras de necessidades especiais; mulheres de várias gerações, que trazem os conflitos inerentes entre transmissão e reinvenção.

Por isso, a necessidade de radicalizar, de viver o conflito interno no movimento – enfrentando democraticamente as várias tendências e proposições – de produzir conflito na sociedade em torno das suas proposições, de entender que radicalizar também é ser referência para outras mulheres fora do espaço da sua própria organização.

A radicalização do feminismo diz respeito a sua própria forma de organização e a sua ação no mundo. Se o movimento é radical, a sua organização exige, de imediato, os meios para enfrentar as contradições da mulher na vida cotidiana, que deve exercer o direito de existir como sujeito político – já que uma das conquistas do feminismo é a instituição da mulher como sujeito.

Para pensarmos em uma proposta radical de luta feminista, é importante pensarmos no acesso aos espaços de luta. Caso contrário, a desigualdade social e as discriminações se transformam perversamente em um déficit do sujeito. No cotidiano, há bloqueios para as mulheres se movimentarem entre as esferas pública e privada, como a violência sexual e doméstica, o preconceito, a dupla jornada de trabalho e a falta de tempo.
O trabalho das mulheres nas esferas produtiva e reprodutiva está marcado pela desigualdade da divisão sexual do trabalho. Precisamos responder teórica e politicamente à transformação dos fundamentos
econômicos dessa divisão e das relações sociais por ela produzida.

A mercantilização do corpo das mulheres, do prazer, e a banalização da exploração sexual são dimensões importantes da globalização econômica. As mulheres são consideradas alvos estratégicos do consumismo e o apelo sexual é o elemento central deste método. A indústria cultural, por intermédio dos diversos meios de comunicação, produz, cotidianamente, as mais enlouquecidas formas de alienação e apreensão de todas as
propostas de liberdade e igualdade. É também no terreno da sexualidade que a força repressiva das instituições religiosas e fundamentalistas tem produzido controle e abusos em nome de princípios transcendentes.

A ilegalidade e a clandestinidade do aborto, por exemplo, sempre serviram aos interesses mercantis e ao poder das igrejas na dominação sobre a vida das mulheres. Na América Latina e no Caribe, o poder do Estado esteve historicamente nas mãos de homens, em sua maioria, ligados aos senhores da terra, da indústria e do capital financeiro, subordinados e aliados dos senhores do Norte.

O patrimonialismo, que teve grande peso na conformação desses Estados, a violência no campo, a violência sexual, o racismo, a homofobia, a violência sobre o povo indígena, a concentração de renda e seu reverso,
a pobreza, são marcas que persistem a partir de uma imbricada relação entre dominação simbólica e reprodução da desigualdade social.

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(*) Maria Betânia Ávila é doutora em Sociologia e pesquisadora. Integra a Coordenação Colegiada do SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia.

Leia também:

Silvia Camurça - 'Nós Mulheres' e nossa experiência comum

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O SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia é uma organização da sociedade civil, autônoma, sem fins lucrativos, fundada em 1981, com sede na cidade do Recife, Pernambuco, no Nordeste do Brasil. Propõe-se a contribuir para a democratização da sociedade brasileira através da promoção da igualdade de gênero com justiça social.

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