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Fórum Social Pan-amazônico expressa apoio à Cúpula dos Povos (Rio+20)

por em Justiça Socioambiental
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Na última reunião, realizada de 2 a 4 de abril na cidade de Trinidad (Bolívia), o Conselho Internacional do Fórum Social Pan-amazônico lançou a Carta de Trinidad, lançando os objetivos, princípios e marcos do VI FSPA. No texto, o Conselho Internacional também expressa apoio explícito à Cúpula dos Povos.
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Rio Acre, na fronteira entre Cobija (Bolívia) e Brasileia, no Brasil (foto: eskararriba/CC BY-NC 2.0)

Entre 1º e 4 de dezembro deste ano, será realizado o VI Fórum Social Pan-amazônico (FSPA), na cidade de Cobija (Bolívia). Localizada na tríplice fronteira amazônica – entre Bolívia, Brasil e Peru –, a cidade representa a união entre os três países e a interculturalidade entre seus povos.

Na última reunião, realizada de 2 a 4 de abril na cidade de Trinidad (Bolívia), o Conselho Internacional do Fórum Social Pan-amazônico lançou a Carta de Trinidad, lançando os objetivos, princípios e marcos do VI FSPA. No texto, o Conselho Internacional também expressa apoio explícito à Cúpula dos Povos: “Apoiamos a Cúpula dos Povos, evento que se realizará no mês de junho no Rio de Janeiro, Brasil, onde serão definidas ações em direção a outro modo de vida. Lá, certamente, nos encontraremos.”

A última edição do Fórum aconteceu em Santarém (PA) e reuniu cerca de cinco mil pessoas.

Leia abaixo a Carta de Trinidad, intitulada ‘A luta é o caminho’.

***

A luta é o caminho

Carta de Trinidad

O Conselho Internacional (CI) do Fórum Social Pan-amazônico (FSPA), fórum do qual fazem parte diversas organizações e movimentos sociais dos nove países da Pan-Amazônia, reunido durante os dias 02 a 04 de abril de 2012, na cidade de Trinidad, departamento de Beni, Bolívia, decidiu realizar o VI FSPA entre os dias 01 e 04 de dezembro de 2012, na cidade de Cobija, departamento de Pando, Bolívia. O dia 05 está reservado para a reunião do CI/FSPA.

A tríplice fronteira amazônica, unindo Bolívia, Brasil e Peru, será um importante elemento na construção do VI FSPA. O intercâmbio de serviços de hospedagem, transporte e alimentação facilitarão a realização do evento.  A interculturalidade existente entre os povos destes países, que possuem problemas sociais, econômicos, ambientais e políticos correlatos, contribuirá nos debates e encaminhamentos que nos possibilitarão seguir juntos, lutando contra todo tipo de opressão colonialista, patriarcal, neoliberal ou neokeynesiana. O compartilhamento de experiências, apoio e de articulação entre as organizações da sociedade civil, e até entre as autoridades governamentais locais, já ocorre. Tudo isso fortalecerá tanto o FSPA quanto a participação das delegações de Equador, Venezuela, Colômbia, Suriname, República Cooperativa da Guiana e Guiana, sob dominação francesa, além de Brasil, Peru e Bolívia, já citados.

A Mãe-terra, como nunca antes, corre um grande perigo. A exploração dos rios, da floresta, das riquezas naturais e da vida intensifica-se. O sistema capitalista faz de tudo para implantar no coração da Pan-Amazônia uma nova forma de colonialismo e extrativismo. Dedica-se à construção de gigantescas hidrelétricas, estradas, grandes projetos de mineração, monocultura, agronegócio, violando o direito territorial de povos indígenas e de comunidades tradicionais, acelerando as mudanças climáticas, promovendo a pobreza. Apresenta-se agora o capitalismo verde, propondo a mercantilização da natureza e privatização dos bens comuns. REDD, REDD Plus, REDD+, REDD+ Indígena, Créditos de carbono. Mentiras, ilusões e falsas soluções sendo vendidas aos povos. Enquanto isso, aplaudindo com entusiasmo, satisfação e criando leis para institucionalizar esse novo estágio do capitalismo, está a maioria dos governos nacionais, fiéis escudeiros do capital.

A crise civilizatória também está presente na Pan-Amazônia. Processos de desintegração levados por grandes planos como a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (Iirsa) e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), este último do governo brasileiro, intensificam a destruição social e toda a biodiversidade das florestas amazônicas, desconsideram as seculares práticas econômicas que garantem, inclusive, segurança alimentar aos povos, ignoram a histórica cultura indígena, de pescadores, ribeirinhos, trabalhadores rurais, quilombolas, entre outros. As práticas do desenvolvimentismo capitalista implantam relações de gênero opressoras, machistas, patriarcais, homofóbicas. Criminalizam os protestos e encarceram as suas lideranças, no campo e na cidade, produzindo assassinatos e milhares de presos políticos no mundo todo. Em relação a essas violações expressamos nosso repúdio e exigimos a imediata libertação de todos, homens e mulheres, detidos por defenderem os bens comuns e os direitos humanos.

Com heroísmo, os povos da Pan-Amazônia resistem, defendem seu modo de vida, sua autodeterminação. Reivindicam Estados plurinacionais que construam a unidade na diversidade, e lutam por alternativas políticas de justiça e igualdade. O Bem-Viver, construído pelos povos indígenas com a sabedoria de seus ancestrais, é um ótimo exemplo. Praticam arte, cultura, comunicação e educação popular e intercultural, não sexista, não racista. Fortalecem o consumo justo, a democracia, a garantia de direitos. Enfrentam conflitos e dão visibilidade a inúmeras experiências exitosas em toda a Pan-Amazônia.

Com a intenção de apresentar todas essas experiências, debater temas diversos e encaminhar ações durante e após o VI Fórum social Pan-amazônico, o Conselho Internacional aprovou os seguintes eixos temáticos: Colonialismo, neo-extrativismo e desenvolvimentismo; Impactos da crise mundial na Pan-Amazônia: caminhos e alternativas; Defesa e exercício pleno dos direitos na Pan-Amazônia; e Arte, cultura, comunicação, educação e luta social na Pan-Amazônia.

Seguiremos essas orientações e, assim, com unidade, fraternidade, confiança e respeito mútuo, construiremos o VI FSPA. Apoiamos a Cúpula dos Povos, evento que se realizará no mês de junho no Rio de Janeiro, Brasil, onde serão definidas ações em direção a outro modo de vida. Lá, certamente, nos encontraremos. Finalmente, seguiremos apoiando o exemplo de nossos irmãos e irmãs indígenas do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), Bolívia, que lutam, sempre iluminados por seus antepassados, contra a sangria de seu território ameaçado por mais um grande projeto capitalista, desenvolvimentista. Apoiamos e apoiaremos, incondicionalmente, a IX Marcha Indígena em Defesa do Tipnis.

Companheiras e companheiros, o tempo é curto, o trajeto é longo, mas lutar é começar a vencer.

Viva a luta dos povos da Pan-Amazônia

Viva o Fórum Social Pan-amazônico

Viva o VI Fórum Social Pan-amazônico

Trinidad, 04 de abril de 2012

Conselho Internacional do Fórum Social Pan-amazônico

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Fonte: cupuladospovos.org.br

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O SOS Corpo - Instituto Feminista para a Democracia é uma organização da sociedade civil, autônoma, sem fins lucrativos, fundada em 1981, com sede na cidade do Recife, Pernambuco, no Nordeste do Brasil. Propõe-se a contribuir para a democratização da sociedade brasileira através da promoção da igualdade de gênero com justiça social.

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