| "No Brasil, o fundamentalismo evangélico é uma das maiores ameaças atuais a todas as conquistas das mulheres, sobretudo no campo dos direitos reprodutivos e direitos sexuais. Conquistamos muito, mas nada está efetivamente ganho, vivemos sob ameaças. Há um monopólio masculino absoluto em todas as esferas de poder e da política, mas há também um sistema político não nomeado, que é a supremacia branca e patriarcal no mundo. A supremacia masculina é ditada pelo contrato sexual e a supremacia branca, pelo contrato racial. Se uma sororidade pode ocorrer entre "nosotras", ela depende de quanto seremos capazes de desafiar esses dois contratos, simultaneamente." [Sueli Carneiro, Geledés (Brasil), no Colóquio Las Mujeres e la Política/ Fonte: Cfemea feminista, Foto: Mel Bleil] |
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Por um trabalho doméstico decente
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Artigo "Por um trabalho doméstico decente", por Rebecca Reichmann Tavares, Doutora em educação pela Universidade de Harvard e representante do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (ONU Mulheres) no Brasil e no Cone Sul.
ARTIGO Publicado no jornal Correio Braziliense (editoria de Opinião, página27) no dia 1 de maio,
Dia Mundial do Trabalho.
Rebecca Reichmann Tavares*
O trabalho doméstico é uma atividade produtiva fundamental para a geração de riquezas, pois representa cerca de 4% a 10% da força de trabalho dos países em desenvolvimento. Possibilita a administração de residências e famílias, a dedicação e a permanência, especialmente das mulheres, no mundo competitivo do mercado de trabalho. A categoria é composta majoritariamente por mulheres, reunindo93,6% de profissionais. São 15,8%
da força produtiva feminina total do mercado de trabalho brasileiro, perfazendo 6,2 milhões de trabalhadoras.
A origem do trabalho doméstico na América Latina decorre do período da escravização indígena e negra, quando o trabalho braçal ganhou valoração negativa em decorrência do processo de colonização racista. No Brasil, o fim da escravização negra não significou inclusão nos postos de trabalho assalariado,reservados aos imigrantes europeus e asiáticos. Foi a atuação das mulheres negras no trabalho doméstico que assegurou o sustento das famílias negras no pós-abolição, enfrentando condições precárias de trabalho marcadas pela herança escravista e patriarcal, baixa remuneração, violação de direitos sociais e assédios sexual e moral.
A luta pela valorização da profissão do trabalho doméstico e a conquista de direitos dessas trabalhadoras é antiga no Brasil. Começou em 1936, sob a liderança de Laudelina dos Campos Melo, trabalhadora doméstica e ativista do movimento negro, com a fundação da primeira Associação de Trabalhadores Domésticos do país. De lá para cá, a
organização política das trabalhadoras domésticas se consolidou por meio da criação de entidades representativas e sindicatos.
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* Rebecca Reichmann Tavares é Doutora em educação pela Universidade de Harvard e representante do Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem) no Brasil e no Cone Sul





































